quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Como ajudar uma pessoa quando o diagnostico da positivo!!!

Emoções: perceba quando a ajuda é necessária. O modo como cada pessoa se relaciona com o câncer é único e depende de inúmeros fatores, como o grau de percepção da doença, o suporte familiar e social, os recursos de enfrentamento e os traços de personalidade. A Psico-Oncologia vem estudando as reações diversas e as necessidades emocionais de inúmeros indivíduos. A partir desse conhecimento, estabeleceram-se alguns padrões que indicam um ajustamento saudável. Identificam-se, de maneira geral, três fases – resposta inicial, distresse e ajustamento – pelas quais passam todos os que recebem o diagnóstico de câncer ou a informação de uma recidiva Essas fases não acontecem obrigatoriamente de forma seqüencial e podem apresentar-se alternadamente ou ao mesmo tempo, com durações muito variáveis. A primeira reação é a descrença: você não acredita que aquilo está acontecendo, “a ficha ainda não caiu”. Depois vem um período de distresse, em que sintomas de ansiedade e de depressão se misturam, com duração de alguns dias ou semanas. A seguir e à medida que opções de tratamento e cuidados tomam forma, instala-se a fase de ajustamento. Nesses momentos iniciais, você pode sentir extrema tristeza, talvez acompanhada por sintomas físicos como: Choro constante Fadiga e dificuldade de concentração Falta ou excesso de sono Mudança de hábitos alimentares Perda de peso ou apetite Irritabilidade É possível que você se veja: Com maior necessidade de amparo por parte de familiares ou amigos Confiando menos em suas próprias decisões Com dificuldade de se fazer entender Reagindo desproporcionalmente a algumas situações Sentindo-se frustrado(a) ou contrariado(a) com facilidade Nem sempre é fácil dedicar atenção aos sentimentos, num momento em que muitas decisões práticas precisam ser tomadas. Porém o cuidado às reações emocionais é importante por diversos motivos: Expressar as emoções, ao invés de ocultá-las, promove alívio, e fortalece a saúde mental e física. O estresse contínuo por vezes afeta o sistema endócrino (produtor de hormônios) com resultados no sistema imunológico, o que pode retardar o processo de tratamento e cura. Há evidências de que o suporte psicossocial prestado por profissionais qualificados tem impacto positivo na qualidade de vida de pacientes ou sobreviventes de câncer. Além disso, a atenção e cuidado às emoções podem ajudar: O fortalecimento de pensamentos positivos como coragem, esperança, auto-confiança e gratidão Uma vida mais plena, nos planos físico, emocional e espiritual A comunicação de melhor qualidade com a família, amigos e membros da equipe profissional de saúde O desenvolvimento de novos recursos de enfrentamento que serão úteis em outras situações de vida A compreensão e a elaboração da experiência vivida. No turbilhão de emoções que podem atingir você, seus familiares e entes queridos, encontram-se alguns componentes quase universais, que apresentamos a seguir. Reaparecimento de uma doença após determinado período sem sintomas. Muitas vezes esses sintomas resultam das próprias medicações utilizadas durante o tratamento; no entanto em todas as situações, merecem cuidado e atenção. • Ansiedade • Pensamento positivo • Culpa • Depressão • O que pode ajudar

Sangue do Cordão Umbilical e Placentário

Sangue do Cordão Umbilical e Placentário - SCUP O Ministério da Saúde lançou no final de setembro de 2004 uma rede pública de bancos de armazenamento de sangue de cordão umbilical e placentário, a BrasilCord, para o atendimento de pacientes que necessitam de células-tronco e que aguardam transplantes de medula óssea. Atualmente, o Brasil soma 2.500 indicações anuais para transplante de medula óssea, das quais 1.500 não encontram um doador com laços de parentesco e compatibilidade genética. A ABRALE contribuirá com o projeto esclarecendo a população e médicos obstetras sobre a importância da doação. Abaixo, algumas respostas para as dúvidas mais freqüentes sobre a doação do sangue do cordão umbilical: O que é o sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP)? Devido às dificuldades de se encontrar doadores de medula óssea, busca-se fontes alternativas de células progenitoras. Pesquisas demonstraram que, durante a gestação, o sangue de cordão umbilical é uma fonte rica em células progenitoras. A partir dessa descoberta, as células progenitoras obtidas do sangue de cordão umbilical vêm sendo utilizadas em modelos terapêuticos onde é indicado o transplante de medula óssea. Qual a principal utilização do sangue de cordão umbilical? O uso terapêutico comprovado é a reconstituição de células do sangue, substituindo a medula óssea nos pacientes que não têm doador. Como é feita a coleta de sangue de cordão umbilical? A doação do sangue do cordão umbilical não começa na coleta. Ela passa por várias etapas: 1) Triagem: as mães dispostas a doar passam por uma triagem desde o pré-natal. São excluídas aquelas que apresentarem doenças genéticas e histórico de neoplasia, entre outros, e aquelas que tenham deixado de realizar pelo menos duas consultas no pré-natal. 2) Coleta: passada a triagem, o sangue do cordão é coletado tanto em partos naturais quanto em cesáreas. A coleta é acompanhada por três formulários: um relatório do histórico clínico materno e familiar, um histórico do parto do recém-nascido e um termo de consentimento que regulariza a doação do material. Também é retirada uma amostra de sangue materno para a triagem sorológica de doenças como Hepatites e HIV. 3) Análise: o material coletado é acondicionado sob refrigeração. Depois, passa por uma contagem do número de células e de volume. Se esses números forem baixos, a unidade coletada é desprezada. Caso apresente um número adequado de células-tronco, a unidade é processada e armazenada em local próprio. 4) Consulta com a mãe e o bebê: há uma consulta com a mãe, de dois a seis meses após o nascimento, para novos exames de sangue e observação do estado geral do bebê. Caso tenha ocorrido alguma anormalidade, a unidade de células-tronco é descartada. Só após esses exames a unidade tem sua tipagem realizada e disponibilizada no registro de doadores. Quais são os procedimentos necessários para a doação? Podem doar mães com menos de 36 anos, cujo bebê venha a nascer com idade gestacional maior de 35 semanas e peso maior que 2kg. Algumas exigências devem ser cumpridas antes da coleta, similares às requeridas para doação de sangue. Antes do parto, a mãe deverá passar por uma triagem clínica (entrevista). Segundo a legislação brasileira, entre 60 e 180 dias após o parto, a mãe deverá retornar ao banco de sangue para uma nova entrevista e coleta de sangue para a realização dos testes laboratoriais. O que garante a qualidade do material armazenado? O sangue do cordão umbilical passa por vários testes e é armazenado em locais específicos até a liberação final, após o retorno da mãe para a coleta de nova amostra de sangue. Que paciente pode ser tratado com esse tipo de célula-tronco? O número de células-tronco que vem do cordão e da placenta é geralmente insuficiente para transplantar pessoas adultas. Portanto, crianças e adultos de tamanho pequeno ou médio (até 50 kg) podem receber as células progenitoras provenientes de cordão umbilical. Para adultos, uma bolsa de sangue não basta. Se houver mais de uma compatível e número de células suficiente, é possível realizar o transplante dessas células progenitoras em adultos. Por quanto tempo as células-tronco do sangue do cordão umbilical podem ficar armazenadas? O processo de armazenamento de células-tronco se faz em nitrogênio líquido, sendo esse processo denominado criogênese. Até o momento, a mais antiga amostra de células-tronco de sangue do cordão descongelada tinha 15 anos e estava intacta. Outros tipos de células humanas preservadas com sucesso por criogênese mantêm-se viáveis por mais de 55 anos, inclusive células-tronco. Por isso, em tese, quando processadas corretamente, as células progenitoras podem ficar preservadas por décadas. Pode-se doar o sangue do cordão umbilical de um bebê para o BrasilCord para uso exclusivo na mesma criança, caso ela precise no futuro? O BrasilCord foi criado para ser um banco público, sendo assim todo paciente que precisar, se houver compatibilidade, poderá usar o material doado. A probabilidade de uma pessoa precisa das próprias células durante seus primeiros 20 anos - período em que se admite que as células congeladas se mantenham viáveis - é de apenas 1 em 20 mil, pois uma de suas principais utilizações é no tratamento da leucemia. Nesses casos, o transplante de sangue de cordão do próprio indivíduo é contra-indicado, já que o transplante alogênico (de terceiros) apresenta melhores resultados. Outra limitação é a quantidade de células obtidas de um único cordão pode servir para o tratamento de pacientes com até 50kg. Por meio dos bancos públicos, é possível combinar cordões geneticamente compatíveis e tratar pacientes de maior peso. Quanto custa a coleta e o armazenamento do sangue do cordão? A coleta e armazenamento de cada unidade custa em torno de U$ 3 mil para o Sistema Único de Saúde (SUS). Já a importação de unidades de sangue de cordão umbilical vindas de centros internacionais fica em US$ 32 mil. O cordão umbilical de um filho é igual ao de outro? Cada filho é único, e a probabilidade de irmãos serem perfeitamente compatíveis é de 1 para 4. Além disso, não é possível prever se uma das crianças, e qual delas, eventualmente necessitará de um transplante. Quanto custa a coleta e o armazenamento do sangue do cordão? A coleta e armazenamento de cada unidade custa em torno de R$ 3.000 para o SUS. Já a importação de unidades de sangue de cordão umbilical vindas de centros internacionais fica em US$ 32 mil. Existem bancos semelhantes no exterior? No exterior existem mais de cem bancos, com mais de 130 mil unidades de cordão congeladas. Por que doar o sangue do cordão umbilical? Ao doar o sangue do cordão umbilical, você ajuda a salvar a vida das pessoas que ano a ano precisam de um transplante de medula e não encontram doador compatível.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Superando cada obstaculo.....

Fabiana Henrique dos Santos Meu nome é Fabiana Henrique dos Santos, tenho 30 anos, sou casada, e tenho uma filhinha de apenas 1 mês, uma Dádiva em minha vida. Em 17 de Setembro de 2010, fiz a primeira ultra-som, e emocionada vi que meu sonho de ter meu primeiro filho, estava se realizando. Porém no dia seguinte, fui surpreendida com a notícia que os meus exames do pré natal, não estavam bons. Fiquei assustada, mas até então não sabia da gravidade, mas quando o médico solicitou minha internação urgente, percebi que eu tinha algo grave, mas ninguém me falava ao certo, do que suspeitavam. No caminho do hospital, ao lado do meu esposo, palpitei, será que estou com leucemia? E ele respondeu: Não sei, seja o que for lutaremos juntos, Deus é maior. No terceiro dia de internação, já tomando medicação, e sem saber o que eu tinha, fiz um mielograma, e antes mesmo que o médico colhesse o sangue, ele já me surpreendeu dizendo que eu estava com Leucemia Mielóide Crônica, em seguida disse também que o melhor era eu interromper minha gravidez. Foi nesse momento que meu mundo caiu, procurei chão não encontrei, e em choro me desmanchei... em tudo pensei, como seria minha vida agora? E o meu trabalho? E o sonho de ser mãe? Passei cinco dias internada, sofri muito, mas em nenhum momento me revoltei com a vida, pois Deus sempre esteve ao meu lado, Ele me dizia direto que o que eu estava passando, poderia ser com qualquer outra pessoa, pois neste mundo não há ninguém melhor que ninguém, Ele dizia também que eu confiasse Nele, que tudo ia dá certo. Já de alta, eu e meu esposo resolvemos procurar outro médico, indicado por sua irmã, dessa vez em Natal. Na consulta Dr. James explicou tudo sobre a doença, disse que se eu não estivesse grávida tudo seria mais fácil, pois existe medicamento para controlar a Leucemia Mielóide Crônica, disse também que eu teria uma vida normal. Depois de tantos esclarecimentos, me surpreendeu ainda dizendo com firmeza que eu poderia ter minha filha, mas eu teria que ficar em Natal até o fim da gestação, pois teria que tomar uma injeção todos os dias, e eu sofreria muitos efeitos colaterais. Fiquei sem saber o que fazer, ou melhor, a única certeza que eu tinha era que queria ter minha filha, mas e aí como seria? Abandonar tudo e morar em Natal, meu esposo sem trabalhar, eu abandonaria meu emprego... no dia seguinte da consulta, ligamos para Dr. James, aceitando a proposta de tratamento. Tínhamos certeza que Deus iria providenciar tudo. Não foi fácil passar quase sete meses longe de casa, tendo que todos os dias tomar injeção, e toda semana fazer exames. Sem falar também que tivemos que adaptar nossa vida financeira, mesmo assim foi impressionante as providências de Deus, Ele não nos deixou faltar nada, como sou grata! Hoje sou vitoriosa, agradeço a Deus todos os dias pela Dádiva que ele me deu, e por isso quero ser exemplo aqui nesse mundo, pois digo de certeza que não importa o tamanho do problema, o que importa é que nós tenhamos total confiança no Senhor, pois Ele resolve tudo em nossa vida, devemos também ter sempre pensamentos positivos, não devemos nos desesperar, pois Deus é fiel. Agradeço a todos que me ajudaram de muitas formas, seja com contribuições, com presentes para Jeimili Dádiva, com doação e disponibilidade de seu tempo e de sua atenção, com "orações", no pensamento. São tantas as ajudas que recebi e que ainda recebo até hoje, que não dá para cita-lás todas, mas que estão gravadas em meu coração. • Primeiro quero agradecer a Deus, por tantas bênçãos; • A meu esposo, que esteve ao meu lado todo momento, não me deixando desanimar lutando comigo e vencendo todas as batalhas; • Minha família, por ser minha base, e me confortar com tanto carinho; • Dr. James, por sua total dedicação e incentivo, para lutarmos pela vida de nossa filha; • Enfermeira Rita, por sua preocupação e dedicação, considero-a como uma mãe; • Gláubia e Wellington, pela hospedagem em sua residência e por inúmeras contribuições de ajuda. • Meirinha, por nos indicar Dr. James; • Enfermeiras da LiGA, por tanto carinho e palavras de apoio, e também pelos presentes para nossa filha; • Emanuele e João, pelos conselhos e também pelos presentes para nossa filhinha, eles praticamente dividiram o enxoval de sua filha conosco. • Geilson, pela gentileza de nos ajudar no transporte de nossas coisas de Natal para Caraúbas, e também por sua disponibilidade em nos ajudar em qualquer momento; • Dra. Velúzia, pelas palavras positivas de incentivo; • Alves Neto e Ericina, pela disponibilidade em nos ajudar; • Minhas amigas, por disponibilizarem seu tempo ligando para me dar força; • E todas as pessoas ( que não foram poucas ) que disponibilizaram seu tempo, para orar e rezar por nós. Na descoberta da doença, tive a sensação que seria meu fim, hoje vejo que a Leucemia Mielóide Crônica não é uma sentença de morte. Seja qual for o problema, nunca deixem de lutar pela vitória, pois Deus está sempre ao nosso lado, confiem Nele. Depoimento escrito por Fabiana, postado em novembro de 2011 Fabiana Henrique dos Santos

Depoimentos

Daniel Luis Moura Queria dizer para todos vocês que vale a pena lutar. No dia 26 março de 2009 descobri o meu câncer, linfoma não-hodgkin grandes nódulos numa fase bem avançada. A médica disse que se eu não respondesse ao tratamento de quimio, não teria chances. Pois bem, primeiramente me apeguei com meu Pai, meu Deus que sabe todas as coisas e é o médico dos médicos. Fiz minha primeira sessão de quimio e os caroços pelo meu corpo já foram desaparecendo. Ao todo, foram 8 sessões de quimio, tive que enfrentar um tribunal para conseguir o mabthera, pois cada dose custava em media 12000,00 reais e eu precisava de 16 doses, mas eu consegui. Fiz meus exames mês passado e está tudo ok. Ainda não tenho o diagnostico de cura, mas tenho fé que tudo vai continuar bem! Quero dizer a cada um de vocês que estão nesta luta! NUNCA DESISTEM! Vá em frente, há dias de terror, dias que você não quer nem se levantar, mas vá em frente! só de sentir o vento batendo em nossa pele vale a pena viver e segurem em Deus. Ele nos dá todo conforto! Agradeço primeiramente a Deus, a minha família, minha esposa e a ABRALE que muito me apoiou. EU SOU PROVA VIVA DO AMOR E DO CUIDADO DE DEUS!

Depoimentos de pessoas com cancer...

CLARISSA MORAES FERNANDES Olá... Quero te dizer, que Deus faz o impossível na sua vida, basta você acreditar! Eu sou jovem, tenho 20 anos, formando em Direito por uma boa universidade, eu nem imaginava o que estava prestes a acontecer comigo. Comecei a passar mal, fui internada, médicos não sabiam o que eu tinha, fiz cirurgia de emergência, tal procedimento foi feito, pois os médicos "tiveram que me abrir" para ver qual órgão estava infeccionado. Quando fui para a cirurgia sabia que de lá eu poderia não acordar viva, mas eu coloquei nas mãos de Deus! Após a cirurgia tiraram meu apêndice, eu tinha uma infecção abnominal gravíssima, a qual gerou septicemia e foi para os pulmões. Acordei da cirurgia fui direto para UTI em estado gravíssimo. Eu não podia dormir, pois eu poderia morrer a qualquer momento, tive SARA (SINDROME DA ANGUSTIA RESPIRATÓRIA AGUDA), eu forçava para respirar e cada respiração que fazia eu pensava: essa respiração é por honra e glória de Jesus. Os médicos já tinham dado meu caso como perdido, mas eu não desisti no DEUS DO IMPOSSÍVEL, fiquei dias sem dormir, ali na batalha, lutando para respirar todos os momentos, fui mal tratada por enfermeiras, eu não tinha como me defender, não tinha como reagir, mexer, falar, mas eu sabia de tudo o que estava acontecendo, uma enfermeira chegou a me deixar urinada, dos pés a cabeça, eu usava fraudas, estava pós operada, até minha cirurgia molhou tudo de urina. Foi muito sofrimento. Era terrível quando as pessoas me olhavam com aquela cara de dó, e falavam: coitada! Tão jovem. Mas O Senhor Deus diz: Tudo o que o meu servo fizer dará certo; ele será louvado e receberá muitas homenagens. Muitos ficaram horrorizados quando o viram, pois ele estava tão desfigurado, que nem parecia um ser humano. Mas agora muitos povos ficarão admirados quando o virem, e muitos reis não saberão o que dizer. Pois verão coisas de que ninguém havia falado, entenderão aquilo que nunca tinham ouvido. Amém. is.52-13 EU NÃO DESISTI, EU LUTEI ATÉ O FIM, E ACREDITEI COM TODA MINHA FÉ, TODO O MEU SER, QUE JESUS IA ME CURAR. INACREDITAVELMENTE ELE ME CUROU! Meus pulmões estavam iguais ao de uma velhinha de 84 anos (a fisioterapeuta que disse), hoje meus pulmões estão normais, não fiquei com nenhuma seqüela, minha melhora foi gradual, mas eu acreditei num DEUS FIEL, QUE CURA QUALQUER ENFERMIDADE, PARA OS MÉDICOS EU NÃO TINHA SALVAÇÃO, MAS PARA DEUS EU TIVE! Eu já tinha tido derramamento nos dois pulmões, meu caso não tinha como reverter para melhor, mas DEUS FEZ O IMPOSSIVEL EM MINHA VIDA! Agora você que está lendo essa mensagem agora, ACREDITE! DEUS FAZ MILAGRES! É SÓ VOCÊ CRER, NÃO DESISTA. Depoimento escrito por Clarissa, postado em dezembro de 2011 CLARISSA MORAES FERNANDES

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

297
Crianças Portadoras de Leucemia Linfóide Aguda: Análise dos
Limiares de Detecção dos Gostos Básicos
Acute Lymphocytic Leukemia in Children: Analysis of Detection Thresholds
for Basic Tastes According to Gender
*Departamento de Nutrição - Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP)
Endereço para correspondência: Ilana Elman. Departamento de Nutrição - Faculdade de Saúde Pública / USP. Av. Dr. Arnaldo, 715 Cerqueira César -
São Paulo (SP) - CEP: 01246-904. E-mail: ilanae@usp.br
Ilana Elman, Maria Elisabeth Machado Pinto e Silva*
Resumo
Considera-se câncer, na infância, toda neoplasia maligna que acomete indivíduos menores de 15 anos. A leucemia
é o tipo mais comum nesta população e a linfóide aguda (LLA) é mais comum em meninos do que em meninas,
numa proporção de (1,2:1). Aproximadamente 50% dos pacientes com câncer reportam anormalidades no
comportamento alimentar por redução no apetite, dificuldades mecânicas, alterações no paladar, náuseas, vômitos,
diarréias, dentre outras. A determinação dos limiares de detecção dos gostos básicos contribui para compreender
as aversões e as preferências alimentares das crianças portadoras de câncer. O objetivo do estudo foi identificar os
limiares de detecção para os gostos básicos, por sexo, de crianças portadoras de LLA em tratamento quimioterápico.
Participaram crianças de três instituições desta especialidade em São Paulo: ITACI/ICR/HC/FMUSP, IOP -
GRAAC e o Hospital A.C. Camargo. A pesquisa foi realizada envolvendo 40 crianças, de 6 a 15 anos, sendo 21 do
sexo masculino e 19 do feminino, que seguiam o protocolo de tratamento GBTLI-99. Aplicou-se o teste de
sensibilidade de Threshold, utilizando amostras pareadas, em séries crescentes de seis concentrações distintas para
cada gosto. Foram aplicados testes não-paramétricos, utilizando-se o programa SPSS. A variável sexo não mostrou
diferenças significativas em relação à análise dos limiares de detecção dos gostos básicos.
Palavras-chave: Criança, Leucemia, Limiar, Sexo
Artigo Original
Gostos Básicos em crianças com Leucemia Linfóide Aguda
Artigo submetido em 17/8/06; aceito para publicação em 25/10/06
Revista Brasileira de Cancerologia 2007; 53(3): 297-303
298 Revista Brasileira de Cancerologia 2007; 53(3): 297-303
Elman I e Pinto e Silva MEM
INTRODUÇÃO
Câncer na infância é considerado como toda
neoplasia maligna que acomete aqueles indivíduos
menores de 15 anos1. Estima-se uma incidência anual
de cerca de 200 mil casos em todo o mundo2, sendo a
leucemia o tipo mais comum nesta população3.
Leucemias agudas são neoplasias primárias de medula
óssea caracterizadas por formarem um grupo heterogêneo
de doenças, nas quais existe a substituição dos elementos
medulares e sangüíneos normais por células imaturas ou
diferenciadas denominadas blastos, bem como acúmulo
destas células em outros tecidos. A leucemia linfóide aguda
possui bom prognóstico, com 95% de remissão completa
em casos tratados com quimioterapia1. Incidem na
população de 0 a 14 anos, em uma freqüência de 1/25.000
indivíduos/ano e o risco de desenvolver a doença nos
primeiros 10 anos é de 1/2.880. A LLA é mais comum
em crianças brancas do que negras (1,8:1), e em meninos
do que meninas (1,2:1)4. A etiologia ainda não está
determinada, embora sejam enfatizados como possíveis
causas: efeitos da irradiação, exposição a drogas
antineoplásicas, fatores genéticos associados,
imunológicos e exposição a alguns vírus5.
O tratamento da LLA é prolongado, variando de
dois a três anos. Embora os esquemas terapêuticos
possam mudar entre os diversos centros, os protocolos
modernos invariavelmente são constituídos de cinco
fases: indução de remissão, intensificação-consolidação,
reindução, prevenção da leucemia no sistema nervoso
central e continuação ou manutenção de remissão4.
No Brasil, na década de 1980, deu-se início ao
primeiro protocolo brasileiro multicêntrico de tratamento
da LLA infantil, formando-se assim o Grupo
Cooperativo Brasileiro de Tratamento de Leucemia
Linfóide Aguda na Infância (GBTLI-LLA-80). Desde
então, três estudos multicêntricos foram realizados e
concluídos (1982,1985,1993). A partir dos resultados,
observou-se uma crescente possibilidade de cura para a
criança portadora de LLA no Brasil, com curvas de
sobrevida livre de eventos para todos os grupos de risco
que saíram de 50% no GBTLI-LLA-80 para índices de
70% no GBTLI-LLA-935,6.
Todos estes protocolos adotaram, como critério de
risco, os dados clínico-laboratoriais pré-tratamento,
adaptando a intensidade da quimioterapia e da
radioterapia aos diferentes grupos, sendo aperfeiçoados
continuamente. Como exemplo, há o Protocolo GBTLI
LLA-99, o qual é baseado na experiência dos resultados
dos estudos LLA-80, 82, 85 e 937.
Medicamentos utilizados no Protocolo GBTLI-99
possuem efeitos variados no organismo, como
transtornos gastrintestinais, diminuição do apetite,
sensação do gosto metálico, dentre outros8.
Embora haja efeitos colaterais, pelo conjunto dessas
ações, a maioria das crianças portadoras de neoplasias
é tratada com vistas à cura9. Atualmente, cerca de 70%
a 75% das crianças podem ser curadas com os protocolos
de tratamento atuais10.
Tem-se observado, na população infantil portadora de
câncer, reduzida ingestão calórica e proteica nas diversas
fases da doença, por redução no apetite, dificuldades
mecânicas, alterações no paladar, náuseas, vômitos,
diarréias, e jejuns prolongados para exames pré ou pósoperatórios,
decorrentes da quimioterapia e da radioterapia.
Estudos avaliaram que, durante o ciclo da quimioterapia,
crianças e adolescentes com câncer apresentaram redução
de 40% a 50% na ingestão habitual11,12.
Os tratamentos, principalmente a quimioterapia e a
radioterapia, têm efeitos agressivos para o hospedeiro,
por deixar o organismo vulnerável e debilitado, aumentar
o risco para o comprometimento nutricional e
prejudicar a resposta terapêutica13.
Normalmente, crianças com alguma doença podem
ter seu apetite alterado e conseqüentemente afetar seu
balanceamento em nutrientes14. Isto se deve à existência
de aversões alimentares e inapetência durante o
tratamento antineoplásico, o que contribui para uma
depleção nutricional muito mais intensa15.
As qualidades sensoriais (sabor, odor, textura e
aparência) são fatores determinantes do comportamento
alimentar e desempenham um papel não somente na
determinação de seu consumo, como também da
saciedade, ingestão e seleção do alimento numa refeição16.
As crianças aprendem a associar os estímulos do
gosto dos alimentos às conseqüências fisiológicas à sua
ingestão. Um exemplo desse tipo de aprendizagem é a
aversão condicionada resultante do comer um alimento
que provoca conseqüências negativas a seguir, como
náuseas e vômitos17. Este fato associado aos efeitos
causados pelos tratamentos antineoplásicos pode explicar
a diminuição da aceitação alimentar dos pacientes.
Os tratamentos antineoplásicos utilizados, a
quimioterapia e a radioterapia reduzem a produção de
saliva causando a xerostomia, sendo que,
conseqüentemente, a percepção do sabor dos alimentos
também se altera18.
Os deficits da gustação não apenas reduzem o prazer
e o conforto provenientes dos alimentos, mas são causa
de sérios fatores de risco para as deficiências nutricionais
e imunológicas. As pessoas com deficiência na percepção
do sabor fazem suas escolhas dos alimentos com base no
que lhes atrai, sem considerar seu valor nutricional, o
que dificulta a adesão a regimes dietéticos específicos19.
Revista Brasileira de Cancerologia 2007; 53(3): 297-303 299
Gostos Básicos em crianças com Leucemia Linfóide Aguda
Para medir, analisar e interpretar reações das
características dos alimentos, como são percebidos pelos
órgãos da visão, olfato, gosto, tato e audição faz-se uso
da análise sensorial, uma disciplina científica20.
Uma das ferramentas da análise sensorial é o teste de
sensibilidade ou Threshold, que pela sua especificidade
proporciona subsídios para a formulação de produtos
direcionados a cada tipo de consumidor. Tais testes medem
a habilidade de perceber, identificar e/ou diferenciar um
ou mais estímulos pelos órgãos dos sentidos21-24.
O índice de limiar (Threshold) depende da intensidade
do estímulo causado pela concentração da solução,
podendo ser classificado em limiar absoluto,
reconhecimento, diluição e detecção. No teste de limiar
de detecção, a intensidade mínima detectável é medida
pelo estímulo referido pelo provador, mas sem
caracterizá-lo, por exemplo, não expressar se o gosto
analisado é doce ou salgado21,25.
Estudos desenvolvidos com crianças de 8 e 9 anos
de idade mostraram resultados que indicam diferenças
encontradas entre os sexos para a sensibilidade dos gostos
entre meninos e meninas, porém sugerem que essas
diferenças sejam transitórias26.
Propõe-se que crianças são menos sensíveis ao gosto
doce do que os adultos, sendo assim, para investigar os
níveis do gosto doce que as crianças são capazes de
discriminar, testes sensoriais confiáveis são necessários27.
Caratin28 realizou o teste de limiar para os gostos
básicos em escolares saudáveis, de 7 a 10 anos, onde se
observou que o sexo masculino apresentou maior
sensibilidade ao gosto amargo e azedo, enquanto as meninas
apresentaram maior sensibilidade ao gosto ácido e doce.
A determinação dos limiares de detecção dos gostos
básicos contribui para compreender as aversões e as
preferências alimentares das crianças portadoras de câncer,
melhorando a alimentação e contribuindo para a
recuperação do estado nutricional com consumo alimentar
adequado. Uma vez que esse grupo pode apresentar grande
dificuldade em se alimentar, devido à doença e suas
complicações, todos os testes que identifiquem a
sensibilidade e que, conseqüentemente, influenciarão na
orientação e aceitação alimentar devem ser realizados.
O objetivo desta pesquisa foi identificar os limiares
de detecção para os gostos básicos, por sexo, de crianças
portadoras de LLA em tratamento quimioterápico.
METODOLOGIA
POPULAÇÃO EM ESTUDO
Foram avaliados os pacientes pediátricos de 6 a 15
anos de idade, em tratamento antineoplásico, com
diagnóstico de leucemia linfóide aguda (LLA), seguindo
o protocolo GBTL-99. Participaram crianças de três
instituições desta especialidade, em São Paulo: Instituto
de Tratamento do Câncer Infantil (ITACI) do Instituto
da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo;
Hospital do Câncer A.C. Camargo e Instituto de
Oncologia Pediátrica - Grupo de Apoio à Criança e
Adolescente com Câncer (GRAAC).
CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Foram excluídas as crianças que apresentaram febre,
gripe, resfriado ou alguma complicação na cavidade
bucal, pois estes fatores podem interferir na percepção
dos gostos. Também foram excluídas aquelas que não
apresentavam condições de se expressar.
ANÁLISE SENSORIAL: LOCAL DE REALIZAÇÃO DOS TESTES DE
SENSIBILIDADE
Os testes foram realizados na própria instituição,
individualmente, em local isento de ruídos e odores,
temperatura agradável e luz natural23.
PREPARO DAS AMOSTRAS PARA O TESTE DO LIMITE
As amostras foram preparadas no Laboratório de
Bromatologia do Departamento de Nutrição da
Faculdade de Saúde Pública da USP, utilizando água
deionizada para as soluções e balança analítica para
quantificar os solutos utilizados: sacarose, cloreto de
sódio, cafeína, ácido cítrico29. As soluções, preparadas
quinzenalmente, foram acondicionadas em garrafas
plásticas de 250ml, devidamente identificadas e
armazenadas em temperatura ambiente e local arejado
nas instituições de coleta de dados.
Foi utilizado o teste de sensibilidade de Threshold, o
qual mede a habilidade de perceber, identificar e/ou
diferenciar um ou mais estímulos pelos órgãos dos
sentidos21,25. As concentrações utilizadas foram as
preconizadas pela International Organization for
Standartization29 para a determinação dos gostos,
adaptadas por Caratin28, as quais foram consideradas
eficientes na determinação dos gostos básicos. As
concentrações dos solutos por litro de água deionizada
foram: 0,500; 1,000; 2,000; 4,000; 8,000 e 16,000 para
o doce; 0,090; 0,180; 0,370; 0,750; 1,500 e 3,000 para
o salgado; 0,004; 0,008; 0,015; 0,030; 0,062 e 0,125
para o ácido; 0,025; 0,050; 0,100; 0,200; 0,400 e 0,800
para o gosto amargo.
APLICAÇÃO DO TESTE DOS LIMIARES
As amostras foram apresentadas aos pares (solução e
água deionizada), em séries crescentes de seis
concentrações distintas para cada gosto, cabendo ao
provador indicar se algum estímulo tivesse sido detectado.
300
Para que a criança compreendesse como proceder
durante o teste, foi oferecida uma solução-padrão (água
deionizada) e uma outra solução, e a criança deveria
informar se as amostras pareadas eram iguais (nãodetecção)
ou diferentes (detecção, desde que seja
apontada corretamente a solução). A apresentação das
soluções continuou até que as crianças detectassem algum
estímulo duas vezes consecutivo, cessando a seqüência.
Repetiu-se a apresentação, partindo da solução de menor
concentração do soluto (teste em duplicata). Após a
avaliação de cada par de amostras, a criança foi instruída
a lavar as papilas com água e aguardar cerca de 30
segundos para provar o próximo par.
Em nenhum momento foi solicitada a identificação
do gosto testado, sendo que a ordem apresentada foi a
mesma para todas as crianças (doce, salgado, ácido e
amargo), uma vez que o objetivo foi o de verificar o
limiar de sensibilidade para os mesmos.
ANÁLISE ESTATÍSTICA
Utilizaram-se testes não-paramétricos, uma vez que
as variáveis não possuíam distribuição normal. Para a
análise dos dados, utilizou-se o pacote estatístico SPSS
versão 10.031.
A comparação dos limiares (média aritmética das
duas medidas realizadas), por sexo, foi feita pelo teste
de Mann-Whitney32.
QUESTÕES ÉTICAS
Este trabalho foi submetido e aprovado pelo Comitê
de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo e pelos demais comitês das
instituições envolvidas na pesquisa.
As instituições em que este trabalho foi realizado
foram consultadas sobre as condições para desenvolvêlo
e assinaram um termo de consentimento segundo os
moldes da resolução n° 196 de 10/10/1996 do Conselho
Nacional de Saúde, após a submissão e aprovação desta
pesquisa pelos seus comitês de ética.
Os responsáveis foram informados e esclarecidos sobre
os objetivos e metodologia do estudo e autorizaram a
participação da criança, assinando um termo de
consentimento segundo a resolução n° 196 de 10/10/1996
do Conselho Nacional de Saúde. Só participaram do
estudo as crianças que entregaram a autorização.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO DE ESTUDO
Todos os pacientes analisados (n=40) já haviam sido
internados devido à LLA e, no período de aplicação
dos testes sensoriais, nenhum deles apresentou anemia
ou alguma intercorrência como mucosite, gripe, tosse,
febre ou outras doenças.
Houve uma distribuição homogênea quanto ao sexo,
sendo 21 meninos (52,5%) e 19 meninas (47,5%). Dos
pacientes analisados, 47,5% recebiam tratamento em
uma única instituição (ITACI).
ANÁLISE SENSORIAL
Teste de limiar dos gostos básicos (Threshold) Observou-se, tanto no sexo masculino quanto no
feminino, que os indivíduos apresentaram maior
detecção nas concentrações baixas para todos os gostos
básicos, principalmente o ácido para os meninos e o
salgado para as meninas.
A Tabela 1 apresenta os valores obtidos entre as duas
medidas dos limiares, uma vez que o teste de Threshold
foi aplicado em duplicata.
Tabela 1. Coeficientes de correlação intraclasse estimados entre
as duas medidas dos limiares
Gosto Doce Considerou-se, para os valores de limiares individuais
detectados, a seguinte classificação: 0,50 a 0,71g/l -
baixos; 1,06 a 2,83g/l - médios e acima destes, valores
altos de limiares de detecção individual para o gosto doce.
De acordo com a Figura 1, independente do sexo, o
maior número de crianças detectou o estímulo nas
Figura 1. Distribuição dos limiares individuais de detecção do
gosto doce, por sexo
Revista Brasileira de Cancerologia 2007; 53(3): 297-303
Elman I e Pinto e Silva MEM
301
concentrações baixas. As meninas apresentaram-se em
maior número entre os limiares baixos e médios e os
meninos nos valores baixos.
Estes resultados diferem dos encontrados por
Caratin28, uma vez que, em sua pesquisa, obteve uma
distribuição homogênea entre os sexos. Porém,
considerando os limiares mais elevados em ambos os
estudos, estes foram observados no sexo masculino.
Gosto Salgado Considerou-se, para os valores de limiares
individuais detectados, a seguinte classificação: 0,09 a
0,13g/l - baixos; 0,19 a 0,53g/l - médios e acima destes,
valores altos de limiares de detecção individual para o
gosto salgado.
De acordo com a Figura 2, pode-se observar que,
do total das crianças, 32,5% dos meninos e 25% das
meninas apresentam limiares de detecção baixos. Apenas
uma menina detectou o estímulo resultando num limiar
mais elevado.
De acordo com Figura 3, pode-se observar uma
maior distribuição de acordo com o sexo, em limiares
baixos e médios de detecção.
Figura 2. Distribuição dos limiares individuais de detecção do
gosto salgado, por sexo
Em trabalho desenvolvido por Caratin28, na distribuição
segundo os limiares para o gosto salgado de acordo com o
sexo, o feminino apresentou maior número nos valores
baixos, enquanto no presente estudo foi observado para os
indivíduos do sexo masculino. Em ambos os trabalhos,
apenas um indivíduo do sexo feminino apresentou o limiar
de detecção em valor mais elevado.
Este fato pode indicar que, enquanto as meninas
saudáveis são mais sensíveis ao salgado, são os meninos
com LLA que apresentam esta característica.
Gosto Ácido Considerou-se, para os valores de limiares individuais
detectados, a seguinte classificação: 0 - baixo; 0,01 a 0,04g/
l - médios e acima destes, ou seja, 0,07g/l, valores altos
de limiares de detecção individual para o gosto salgado.
Os resultados obtidos no presente estudo diferem
dos de Caratin28, uma vez que entre crianças saudáveis
foi observado que o maior número de crianças do sexo
feminino detectou o limiar em concentrações mais
baixas, enquanto entre as crianças portadoras de
leucemia linfóide aguda este fato ocorreu para o sexo
masculino, indicando maior sensibilidade. Outra
diferença foi o fato de haver indivíduos saudáveis de
ambos os sexos com limiar mais elevado, enquanto no
presente estudo apenas uma criança do sexo masculino
demonstrou-se menos sensível ao gosto ácido quando
comparada com as demais.
Gosto Amargo Considerou-se, para os valores de limiares
individuais detectados, a seguinte classificação: 0,03 a
0,05g/l - baixos; 0,07 a 0,14g/l - médios e acima destes
(0,21 a 0,42g/l), valores altos de limiares de detecção
individual para o gosto amargo.
A Figura 4 mostra que 30,0% das meninas e 32,5%
dos meninos apresentaram limiares baixos; 10% e 15%
médios e 7,5% e 5% detectaram nos valores elevados,
observando uma distribuição decrescente pelos limiares,
em ambos os sexos.
Esses resultados assemelham-se aos obtidos por
Caratin28, no qual o sexo masculino apresentou maior
distribuição pelos limiares de valores baixos, indicando
maior sensibilidade ao gosto amargo.
Os resultados obtidos, através da aplicação do teste
de limiares para os gostos básicos, de acordo com os
parâmetros utilizados, não foram estatisticamente
significantes para as variáveis analisadas.
Quando confrontados os valores de limiares obtidos entre
as crianças saudáveis e as portadoras de LLA, nota-se que,
Figura 3. Distribuição dos limiares individuais de detecção do
gosto ácido, por sexo
Revista Brasileira de Cancerologia 2007; 53(3): 297-303
Gostos Básicos em crianças com Leucemia Linfóide Aguda
302
neste último grupo, os valores foram inferiores,
indicando que a população do presente estudo possui
maior sensibilidade aos gostos básicos do que as crianças
saudáveis. Além disso, destaca-se o gosto doce, uma
vez que, entre as crianças saudáveis, houve maior
concentração nos limiares de valor médio.
Os meninos apresentaram maior porcentagem nos
limiares de valor baixo, indicando maior sensibilidade
aos gostos básicos quando comparados às meninas.
Porém, quando confrontados com os resultados obtidos
por Caratin28, nota-se diferença, uma vez que, entre as
crianças saudáveis, em relação ao gosto doce, a
distribuição foi homogênea em ambos os sexos; quanto
ao salgado e ácido, as meninas apresentaram limiares
mais baixos; e apenas, quanto ao amargo, os meninos
apresentaram maior sensibilidade.
CONCLUSÃO
A variável sexo não mostrou diferenças significativas
em relação à análise dos limiares de detecção dos gostos
básicos. Porém, as crianças do sexo masculino
mostraram-se mais sensíveis aos gostos básicos do que
as do sexo feminino.
Percebe-se a importância da continuidade deste
estudo, uma vez que esta população possui características
que podem representar especificidades, tais como
preferências e aversões alimentares. Além disso, há
escassez de trabalhos nessa área em portadores de câncer,
o que poderia contribuir para melhorar a aceitação
alimentar e a qualidade de vida desta população.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É constatada grande dificuldade dos pacientes
portadores de câncer em se alimentar. A análise sensorial
Figura 4. Distribuição dos limiares individuais de detecção do
gosto amargo, por sexo
pode ser utilizada como ferramenta para investigar esse
agravante.
Optou-se pela leucemia linfóide aguda, por ser o
tipo de câncer de maior incidência na infância, até os
15 anos de idade. A menor faixa etária estudada foi
determinada a partir da idade em que as crianças são
capazes de realizar testes de análise sensorial.
Devem-se realizar pesquisas mais aprofundadas em
crianças portadoras de câncer, por possuírem
características e necessidades especiais a fim de se
estipular parâmetros mais específicos, uma vez que os
existentes são direcionados a crianças saudáveis.
A caracterização das crianças portadoras de câncer
quanto à sua sensibilidade aos gostos básicos é muito
importante para entender sua aceitação e/ou aversão
alimentar, pois contribuirá assim para a melhora do
estado nutricional e qualidade de vida desta população.
AGRADECIMENTOS
À FAPESP pela bolsa concedida e às instituições
participantes.
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Abstract
Childhood cancer is defined as any malignant neoplasm occurring in individuals under fifteen years of age. Leukemia
is the most common type in this group. Acute lymphocytic leukemia (ALL) occurs more often in boys than in girls,
with a ratio of 1.2:1. Approximately 50% of pediatric cancer patients report eating disorders, including loss of
appetite, altered taste, nausea, vomiting, and diarrhea, among others. Determination of detection thresholds for
basic tastes helps understand the aversion to food and eating preferences in children with cancer. The purpose of
the current study was to identify the detection thresholds for basic tastes according to the gender of children with
ALL on chemotherapy. Children from three oncological institutions in São Paulo participated: ITACI/ICR/HC/
FMUSP, IOP-GRAAC, and the A. C. Camargo Hospital. The sample included 40 children from 6 to 15 years of
age, (21 males and 19 females), following the GBTLI 99 treatment protocol. The sensitivity threshold test was
applied, using paired samples of six increasing concentrations for each taste. Non-parametric tests were applied
using the SPSS program. No association was observed between gender and detection threshold for basic tastes.
Key words: Children, Leukemia, Threshold, Gender