História de Breno 4 anos
Breno nasceu no dia 17 de outubro de 2005, com 3,850 Kg e 51 cm, super saudável.

Nada dava indícios de que ele teria uma doença tão grave.
Aos 5 meses ele teve uma febre muito alta e ao chegar os exames de sangue feitos no Pronto-Socorro, veio o susto e a correria… enfermeiras e médicos, todos tentando medicá-lo, e me falaram: “vamos interná-lo na UTI mãezinha… o estado dele é grave.”
O meu chão sumiu… ele era um bebê gordinho, agitado, e aparentemente saudável… como de repente ele estava em uma UTI com a vida entre a vida e a morte. Mas este era apenas o início de uma saga, “descobrir qual a doença do Breno”, e levou um bom tempo até isso acontecer.
Durante e depois desta internação foram realizados diversos exames, com resultados inconclusivos. Vieram outras internações na UTI e para transfusão de sangue. Um ano depois surge um possível diagnóstico, Aplasia de Medula, onde o tratamento de manutenção seria as transfusões e alguns remédios. Mas a cura seria o TRANSPLANTE DE MEDULA ÒSSEA.
Eu me perguntei: “Medula o quê?!?!? Óssea?!?!? Onde fica isso?!?! Como é feito?!?! O que precisa?!?! Quando será feito?!?!
Eram tantas dúvidas, mas com o esclarecimento surgiu o medo e a preocupação de não achar ninguém compatível. O primeiro passo seria todos da família fazerem o teste de compatibilidade, infelizmente niguém era compatível, o segundo passo, era aguardar um doador não – aparentado. E aguardamos por mais de 1 ano, mediante esta dificuldade decidi organizar uma campanha para tentar aumentar as chances de meu filho obter a cura.
A primeira campanha aconteceu em 2007 no SESI-SBC e cadastrou 3229 novos doadores, a segunda aconteceu em 2008 no Ginásio Poliesportivo de SBC e cadastrou 3500 doadores e a terceira aconteceu em 2009 também no Ginásio Poliesportivo de SBC e cadastrou 2800 doadores.
E durante todo esse tempo o Breno realizava transfusões uma vez por mês e tomava alguns remédios, mas demonstrava uma deficiência no desenvolvimento físico, pois não crescia e nem engordava.
O diagnóstico da doença do Breno mudou diversas vezes de Aplasia de Medula para Síndrome Mielodisplásica, voltando pra Aplasia de novo, passando pela especulação de muitas outras doenças e por fim ele foi diagnosticado com Síndrome de Shwachmann Diamond.
Em 2007 decido ter outro filho para tentar fazer o transplante de medula para o Breno através do sangue do cordão umbilical. Em maio de 2008 nasce a Rafaela, que infelizmente não foi compatível, mas ajudou a desenvolver o Breno em todos os sentidos.
Com o tempo a doença foi se desevolvendo e ficando cada vez mais agressiva, afetando outros órgão como pâncreas, figado e pele. Mas foi em junho de 2009 que pensei pela primeira vez que poderia perder meu filho.
Com febre e tosse fomos ao médico de emergência, e mais um susto, durante a consulta ele entrou em choque séptico (infecção generalizada) e foi internado às pressas. Durante esta internação ele teve 2 choques sépticos, ficou na UTI por 20 dias, teve 3 quase paradas cardíacas, ficou em coma induzido, inchou, foi entubado e tomava tantos remédios que 4 acessos não davam conta, quando saiu da UTI, passou mais 2 meses na enfermaria onde parou de falar, andar, voltou a usar fralda, perdeu a coordenação motora, chegou a pesar 8Kg e continuou tomando muitos remédios.
Ahhh, esqueci de mencionar que durante toda essa turbulência, descobri que estava grávida do Pedro Henrique!!! Quase enlouqueci!!!
Mas quando ele recebeu alta, a surpresa foi imensa, pois o Breno voltou uma criança ainda melhor, mais ativa, feliz e fazia todas as estripulias que uma criança normal fazia. Eu estava realizada… o Breno estava melhor do que nunca, minha filha era muito saudável e agora podia curtir a gravidez do novo integrante da família, Pedro Henrique, que nasceu em fevereiro de 2010. Também coletei o sangue do cordão para um possível transplante se fosse compatível (mas não deu tempo de concluir o exame).
Apesar dos 18 remédios por dia, o Breno vinha se desenvolvendo muito bem, havia engordado, crescido e não transfundia mais. Então pude realizar seu maior sonho… estudar!!! Era uma alegria levá-lo à escolinha!!!
Mas no dia 22 de março de 2010 durante o horário de aula me ligaram informando que o Breno estava com febre, fui buscá-lo e o levei ao hospital à noite, e mais um susto, internação às pressas na UTI e em menos de 24 horas, para ser mais exata às 17:30 do dia 23 de março recebi a pior e mais dolorosa notícia de minha Vida, meu filho amado, havia falecido.
Não conseguia entender como um dia antes ele estava em meus braços me beijando e no dia seguinte não poderia mais abraçá-lo. O meu amigo, meu amor, minha paixão, meu coração, simplesmente a minha Vida, não estaria mais ao meu lado.
Foi Deus que me deu força pra permanecer de pé, e os meus alicerces até hoje são meus filhos, inclusive o Breno. Devo à eles o SER Humano que me tornei e é por isso que continuo a fazer as campanhas.
Se eu puder evitar que ao menos 1 mãe, pai ou filho passe o que eu passei, já terá valido a pena. Mas para que a campanha seja um sucesso é preciso o apoio de todos na divulgação e participação da Campanha Doe Vida em Vida.
Essa campanha surgiu da necessidade de transformar a Dor em Amor, e de homenagear meu filho Breno, pois não achei maneira melhor de passar por essa data tão marcante, do que celebrando a VIDA.








